terça-feira, 22 de setembro de 2015



Se querer é pecado, não bastava não nos ter feito para o querer? Ou é tão grande e sagrada tua volúpia por dominação, por potência, que não és capaz de privar a ti mesmo desse divino gozo que é o de nos ver vacilar, envergonhados, frente aos vales onde jorram leite e mel? ― Tudo isso não é lama para chafurdar? O que dizes dos olhos que suplicam por mais, infinitamente, mais vida? Por que censuras os quereres impudicos? Será que, por um acaso, te divertes com a fúria dos desejos, dos desregramentos que fizera, tu mesmo, habitar em nossos corpos? (Será também,o corpo, algum dia, um divino rebelde a se vingar e a envergonhar os deuses?) Não! ― Esse riso só seria digno de um Malin Génie, de um Deus superior, indecoroso, folião, para além do bem e mal. Qual, então, o sentido profundo, subterrâneo, do imperativo "tu deves querer as coisas do Céu"? Qual, oh, Deus?!