É só dar as caras por aqui, a mulher mais ingrata que já se vira passar, que as folhas começam a cometer suicídio em massa: — lançam-se do alto, esbarram nos frutos e forram a superfície com dor e superstição. E me fere a ótica ver que isso só é feito para que a mulher mais ingrata que já se vira passar, não enlameie seu saltinho plataforma. Tão ingrata, que nem um sinal da cruz! Ou qualquer gestozinho devoto menos pretensioso que o balançar de seus quadris, dançando aos rítmo sincopado, e mórbidos gritos, quase crocantes, das folhas, — que bradavam no silêncio ao serem pisoteadas uma a uma. Tão, tão ingrata — agora impiedosa —, que depois de ter pisoteado a poesia cadavérica das folhas, vai a leves saltos recorrer às flores, acolá , poesias impostas, poucos metros adiante. Vai pintada de primavera com um sorriso de verão, vai brincar no jardim de flores já desabrochadas, que debochadas, se não morrem de despeito ao se projetarem no seu vestido florido, morrem despetaladas por ela numa indagação que oscila imediatamente entre o bem e o malquerer. Quer indignar por ser a mais ingrata, agora indolente, que já se vira passar; — só sorri com as flores. Cheira, acalenta entre a orelha e os fios banhados por um sol capenga. E assim, enquanto as almas são postas aos montões pelos bulevares, alhures, as flores cospem pólen em seus polegares.